DRE

Como montar o DRE do seu restaurante (com exemplo real de bar)

48% das pequenas empresas fecham por falta de controle financeiro (SEBRAE). O DRE mostra exatamente onde seu dinheiro vai — e quanto realmente sobra no fim do mês.

·10 min de leitura·Tamy Food

Você fatura R$ 85.000 por mês. A casa enche toda sexta. Os pedidos do iFood não param. Mas quando chega o dia 30, a pergunta que aparece é sempre a mesma: quanto sobrou?

Se a resposta é "não sei", você está no mesmo barco que 48% dos pequenos negócios que fecham por falta de controle financeiro (SEBRAE, 2024). O problema não é vender pouco. É não saber o que acontece entre a venda e o bolso.

O DRE resolve isso. É o retrato real do seu negócio — sem achismo, sem surpresa, sem aquela sensação de "trabalhei o mês inteiro e não sobrou nada".

O que é DRE e por que todo dono de restaurante precisa de um

DRE é a sigla de Demonstrativo de Resultado do Exercício. Em linguagem de dono: é o documento que mostra, linha por linha, de onde veio cada real e para onde foi — e quanto sobrou (ou faltou) no final.

Pense assim: o caixa mostra quanto entrou e saiu hoje. O DRE mostra o filme inteiro do mês — faturamento, custos de ingredientes, salários, aluguel, impostos, comissões do delivery, e no final, o número que importa: o lucro real.

Sem DRE, você gerencia no escuro. Com DRE, você enxerga qual custo está fora do controle, qual categoria está comendo sua margem, e onde tem espaço para ajustar.

O seu contador entrega um balancete 45 dias depois do mês fechado. O DRE mensal, atualizado em tempo real, é o que permite tomar decisão agora — não mês que vem.

A estrutura do DRE para food service (com exemplo real)

O DRE de restaurante não precisa ser uma planilha de 50 linhas. Para o dono que quer clareza, a estrutura que funciona tem 7 blocos:

Vamos usar os números do Boteco do Carlão, Curitiba — bar com petiscos, faturamento R$ 85.000/mês:

Linha do DREO que éValor (R$)% do faturamento
Faturamento brutoTudo que entrou no caixa (salão + delivery + PIX)85.000100%
(–) DeduçõesImpostos sobre venda (Simples Nacional) + taxas cartão–5.9507%
= Faturamento líquidoO que realmente ficou79.05093%
(–) CMVCusto de ingredientes e insumos–28.90034%
= Margem brutaQuanto sobra depois de pagar os ingredientes50.15059%
(–) Custos operacionaisSalários + encargos + aluguel + energia + gás + manutenção–33.15039%
= Resultado operacionalLucro da operação antes de extras17.00020%
(–) Outras despesasComissão iFood + marketing + contador + software–4.2505%
= Lucro líquidoQuanto sobrou de verdade12.75015%

Carlos fechava o caixa no caderno toda noite às 00h30. Sabia quanto entrou, sabia quanto pagou no fornecedor. Mas nunca tinha visto esses 7 blocos juntos. Quando viu, descobriu que o iFood + taxas de cartão consumiam quase R$ 10.000/mês — e ele nunca tinha somado.

Como montar seu DRE passo a passo (sem ser contador)

Você não precisa de formação em contabilidade. Precisa de 5 informações que já existem no seu dia a dia:

Passo 1: Some todo o faturamento do mês

Salão + delivery + PIX + cartão + dinheiro. Tudo junto. Esse é o faturamento bruto. Se você usa maquininha Stone, Cielo ou PagSeguro, o extrato mensal já traz esse número.

Passo 2: Desconte impostos e taxas de cartão

No Simples Nacional (onde está a maioria dos bares e restaurantes), a alíquota começa em 6% para faturamento até R$ 180.000/ano. Some a taxa da maquininha (1,5–3% dependendo do plano). Esse bloco costuma ficar entre 5–8% do faturamento.

Passo 3: Calcule o CMV do mês

CMV = custo de tudo que foi usado para produzir o que vendeu. Ingredientes, bebidas, embalagens de delivery, descartáveis. Se você ainda não calcula seu CMV, leia nosso guia completo de CMV para restaurante.

O CMV ideal varia por segmento:

SegmentoCMV idealCMV perigoso
Bar / Boteco28–35%acima de 40%
Restaurante casual30–38%acima de 45%
Marmitaria32–40%acima de 48%
Pizzaria25–32%acima de 38%

Passo 4: Liste todos os custos operacionais

Aqui entram os custos que existem mesmo se você vender zero no dia:

  • Folha de pagamento + encargos (CLT, FGTS, férias proporcionais)
  • Aluguel + condomínio + IPTU
  • Energia elétrica (geladeira, freezer, ar-condicionado — bar consome muito)
  • Gás
  • Manutenção (equipamentos, infraestrutura)
  • Pró-labore (o quanto você tira como salário fixo do negócio)

Dica: se você não definiu um pró-labore fixo, o DRE nunca vai mostrar o lucro real. Tudo que você "tira quando precisa" é pró-labore disfarçado — e precisa entrar aqui.

Passo 5: Some as outras despesas

Comissão do iFood (12–27%), taxa do Rappi, marketing, contador, software de PDV, seguros. Tudo que não é ingrediente nem salário.

Passo 6: Faça a subtração

Faturamento bruto
  – Impostos e taxas
  = Faturamento líquido
  – CMV
  = Margem bruta
  – Custos operacionais
  = Resultado operacional
  – Outras despesas
  = Lucro líquido ← esse é o número que importa

Passo 7: Compare com os benchmarks

Para food service no Brasil, os benchmarks de margem de lucro por segmento são:

SegmentoMargem líquida saudávelSinal de perigo
Bar / Boteco15–22%abaixo de 10%
Restaurante casual12–18%abaixo de 8%
Marmitaria10–16%abaixo de 7%

Se o seu resultado está abaixo do benchmark, o DRE mostra exatamente onde o dinheiro está indo. Sem adivinhar.

Os 3 números que o DRE revela e que mudam tudo

1. A margem bruta real (não a que você imagina)

A maioria dos donos acha que a margem bruta é "o que sobra depois de pagar os ingredientes". Tecnicamente, sim. Mas quando o CMV está em 42% em vez de 34%, a diferença é de R$ 6.800/mês — e sem o DRE, esse dinheiro some sem aviso.

2. O peso real do delivery

Carlos vendia 30% do faturamento pelo iFood. No salão, sua margem era 22%. No delivery, depois de descontar comissão (23%), embalagem (R$ 2,80 por pedido) e gás extra, a margem caía para 8%. O DRE separado por canal mostrou que o delivery rentável era só o WhatsApp direto.

3. O custo de não ter pró-labore

Márcia tirava "o que precisava" do caixa: escola dos filhos, aluguel pessoal, mercado da casa. Sem registrar. No papel, a marmitaria parecia lucrar 18%. Na prática, o lucro real — depois de tudo que ela tirou — era 4%. O DRE com pró-labore fixo de R$ 6.000 mostrou o retrato verdadeiro.

Erros comuns que fazem o DRE mentir

1. Misturar conta PJ com PF

Pagou a escola do filho com o cartão da empresa? Comprou mercado da casa no atacadão junto com os insumos do bar? Sem separar, o DRE mostra um CMV inflado e um lucro menor do que o real. Ou pior: mostra lucro que não existe.

2. Esquecer custos que não aparecem todo mês

13º salário, férias, manutenção de equipamento, reajuste de aluguel. Esses custos acontecem 1–2 vezes por ano mas representam milhares de reais. O DRE correto provisiona esses valores mensalmente — R$ 1.500 a R$ 3.000/mês para a maioria dos pequenos negócios.

3. Não separar resultado por canal

Salão, iFood, Rappi, WhatsApp, eventos. Cada canal tem margem diferente. Um DRE "tudo junto" esconde o fato de que um canal pode estar dando prejuízo enquanto o outro compensa.

4. Não atualizar o DRE todo mês

DRE anual é relatório para o contador. DRE mensal é ferramenta de gestão. A diferença é que o mensal permite agir antes do problema virar crise — o anual só confirma o que já aconteceu.

5. Ignorar o desperdício

O SEBRAE (2024) estima que 15–20% das compras vão para o lixo em média. Se você não mede o desperdício, o DRE mostra um CMV alto sem explicar por quê — e você não sabe onde cortar.

Como a Tamy monta o DRE para você

A Tamy conecta seus dados de venda (maquininha, iFood, PIX, cartão) com seus lançamentos de custos e monta o DRE automaticamente — atualizado em tempo real, separado por canal, com comparativo mês a mês.

Quando alguma linha sai do padrão, a Tamy avisa: "Seus custos operacionais subiram 4% esse mês. O aumento veio da conta de energia — R$ 1.200 a mais que o mês anterior. Quer ver o detalhe?"

Sem planilha. Sem esperar 45 dias pelo balancete do contador. O contador continua sendo seu parceiro para a parte fiscal e tributária — a Tamy cuida do dia a dia para que você tome decisão agora.

"Eu nunca tinha visto o DRE do meu bar. Achava que estava lucrando 20%. Quando a Tamy montou, vi que era 11%. O problema estava no delivery — margem de 5% no iFood. Cortei o plano mais caro, negociei embalagem e fui para 16% em dois meses." — Carlos, Boteco do Carlão, Curitiba

Perguntas frequentes

O que é DRE e para que serve em um restaurante?

DRE (Demonstrativo de Resultado do Exercício) é o documento que mostra, linha por linha, quanto o restaurante faturou, quanto gastou em cada categoria (ingredientes, salários, aluguel, impostos) e quanto sobrou de lucro — ou quanto faltou. Serve para saber exatamente onde o dinheiro vai e tomar decisões com base em números reais.

Preciso de um contador para montar o DRE?

O contador é essencial para as obrigações fiscais e tributárias do negócio. Para o DRE gerencial do dia a dia — que mostra quanto sobra por mês e por canal — você pode montar com os dados que já tem: faturamento da maquininha, notas de fornecedor, folha de pagamento e contas fixas. A Tamy automatiza esse processo.

Com que frequência devo atualizar o DRE?

Mensalmente é o mínimo. O ideal para food service é semanal — porque o CMV e o faturamento variam muito de semana para semana. DRE anual é documento contábil; DRE mensal/semanal é ferramenta de gestão.

Qual a diferença entre DRE e fluxo de caixa?

O fluxo de caixa mostra quanto entrou e saiu da conta no dia. O DRE mostra o resultado do período — faturamento menos todos os custos. Uma venda parcelada em 3x aparece inteira no DRE do mês da venda, mas no fluxo de caixa aparece em 3 meses diferentes.

O que é pró-labore e por que ele precisa estar no DRE?

Pró-labore é o salário do dono. Se você tira dinheiro do caixa "quando precisa" sem registrar, o DRE mostra um lucro que não existe na prática. Definir um valor fixo mensal (mesmo que modesto) deixa o resultado real visível — e evita a sensação de "trabalho 18h/dia e não sobra nada".

Meu restaurante fatura bem mas não sobra nada. O DRE vai mostrar por quê?

Sim. Esse é exatamente o problema que o DRE resolve. Na maioria dos casos, o dinheiro está indo para CMV descontrolado, comissão de delivery, custos fixos que cresceram sem reajuste de preço, ou retiradas pessoais não registradas. O DRE mostra cada linha — e o problema aparece.


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