iFood está te dando lucro ou prejuízo? Como calcular a margem real do delivery
Comissão de 27%, embalagem, taxa de entrega e imposto sobre faturamento bruto. A conta que a maioria não faz — e que explica por que o delivery parece ótimo mas não sobra nada.
Márcia vendia 200 marmitas por dia no iFood. A plataforma era o maior canal dela, representava 60% do faturamento. Todo mundo falava que ela estava indo bem.
Resumo em 3 pontos:
- A comissão do iFood (12–27%) é só o começo — embalagem, imposto sobre o bruto e mão de obra escondida podem zerar a margem
- Um prato de R$ 22 no iFood pode dar margem real de R$ 0,40 — enquanto o mesmo prato no salão a R$ 19 dá R$ 7,12
- Precificar igual no salão e no delivery é subsidiar a plataforma do seu próprio lucro
Quando ela fez a conta real — desconto da comissão, embalagem, imposto sobre o faturamento bruto e o custo de gás extra para os picos de pedido — a margem líquida das marmitas no iFood era R$ 0,40 por unidade. Com 200 marmitas, ela estava ganhando R$ 80 por dia nesse canal. Com 12 funcionários e 4h45 de jornada.
O salão presencial, que ela quase ignorava, tinha margem de R$ 4,20 por prato. Com menos operação, menos embalagem, menos estresse.
Como funciona a comissão do iFood na prática
O iFood cobra uma porcentagem sobre o valor bruto do pedido — incluindo o valor dos itens e a taxa de entrega paga pelo cliente. Os planos variam:
| Plano iFood | Comissão aproximada | Quem entrega |
|---|---|---|
| Básico | 12–15% | Você |
| Entrega iFood | 23–27% | iFood |
| Programa de Anúncios (ads) | +5–8% adicional | — |
O erro mais comum: o dono olha o faturamento bruto que aparece no relatório do iFood e esquece que aquele valor ainda não teve a comissão descontada. O dinheiro que cai na conta é o faturamento bruto menos comissão, menos taxa administrativa, menos cancelamentos — e em alguns casos menos antecipação de recebíveis com juros.
O que a maioria esquece de incluir no cálculo
Além da comissão, o delivery tem custos invisíveis que a maioria não lança:
1. Embalagem Caixa, saquinho, lacre, ketchup e mostarda em sachê, garfo e faca descartáveis. Dependendo do tipo de prato, custa de R$ 1,50 a R$ 4,50 por pedido. Márcia usava embalagem de R$ 2,80 para cada marmita.
2. Imposto sobre o faturamento bruto No Simples Nacional, o imposto incide sobre o valor bruto — incluindo a parte que o iFood vai ficar. Ou seja, você paga imposto sobre uma receita que não vai receber na íntegra.
3. Gás e energia extra Picos de pedido às 11h30 e 12h30 exigem produção concentrada. Mais gás, mais desgaste de equipamento, mais custo de manutenção. Raramente lançado.
4. Tempo e mão de obra Embalar, organizar por pedido, separar por entregador — tudo isso é custo de mão de obra que não aparece no CMV do prato, mas sai do seu bolso.
A fórmula da margem real por canal
Margem delivery = Preço de venda
- Custo do prato (CMV)
- Embalagem
- Comissão iFood
- Imposto s/ valor bruto
- Rateio de mão de obra (empacotamento)
- Rateio de fixos
Exemplo: marmita de frango da Márcia
| Item | Valor |
|---|---|
| Preço de venda | R$ 22,00 |
| CMV (insumos) | R$ 7,80 |
| Embalagem | R$ 2,80 |
| Comissão iFood (27%) | R$ 5,94 |
| Imposto Simples (6% s/ bruto) | R$ 1,32 |
| Rateio mão de obra / embalagem | R$ 1,20 |
| Rateio custos fixos | R$ 2,54 |
| Margem real por marmita | R$ 0,40 |
Agora compare com o salão presencial, onde não há comissão, embalagem é mínima (biodegradável simples R$ 0,40), e o cliente vai ao balcão:
| Item | Valor |
|---|---|
| Preço de venda (balcão) | R$ 19,00 |
| CMV (insumos) | R$ 7,80 |
| Embalagem (mínima) | R$ 0,40 |
| Comissão | R$ 0 |
| Imposto Simples (6%) | R$ 1,14 |
| Rateio custos fixos | R$ 2,54 |
| Margem real por marmita | R$ 7,12 |
O prato mais barato, no canal mais "simples", gerava 17x mais margem.
Quando o iFood vale a pena — e quando não vale
O iFood pode ser um canal lucrativo quando:
- Você tem capacidade ociosa de produção (pedidos de delivery preenchem horários fracos)
- O volume aumenta o poder de negociação com fornecedores
- O canal traz novos clientes que migram para o presencial depois
O iFood não vale a pena quando:
- Você aumenta produção e contrata equipe só para atender delivery
- A margem por pedido está abaixo de 10% após todos os descontos
- O delivery canibaliza o salão (paga menos, você produz o mesmo)
- Você depende 100% de uma plataforma que pode aumentar a comissão unilateralmente
Dado crítico: O iFood foi adquirido pela Prosus e tem pressão de margem crescente. O risco de aumento de comissão entre 2025 e 2027 é real. Donos que têm o delivery como canal único estão expostos a um risco que não controlam.
Diversificação de canal: a estratégia que protege a margem
Restaurantes e marmitarias com melhor margem em 2026 geralmente operam com 3 canais:
- Presencial / balcão — maior margem, zero comissão
- WhatsApp direto — sem comissão, relacionamento próximo, pedidos recorrentes
- iFood / Rappi — volume e visibilidade, mas com precificação diferente
O ponto crucial: o preço no delivery deve ser diferente do preço no salão para compensar a comissão. Se você cobra o mesmo, está subsidiando a plataforma do seu lucro.
Como a Tamy calcula a margem por canal automaticamente
A Tamy separa automaticamente o resultado de cada canal: salão, iFood, Rappi, WhatsApp, PIX. Você vê, em tempo real, qual canal está contribuindo para o lucro e qual está destruindo margem.
Quando o resultado de um canal cai abaixo do mínimo saudável, a Tamy avisa: "Sua margem no iFood caiu para 4% esta semana. Quer ver quais pratos estão puxando para baixo?"
Você não precisa montar planilha por canal. A Tamy organiza, calcula e separa. Você decide onde e como vender.
"Eu descobri que 3 pratos do meu cardápio estavam me dando prejuízo no iFood. Tirei dois, ajustei o preço de um, e minha margem geral subiu 8% sem mudar nada na operação do salão." — Márcia O., Marmitaria, São Paulo
Perguntas frequentes
Quanto o iFood cobra de comissão?
O iFood cobra entre 12% e 27% sobre o valor bruto do pedido, dependendo do plano. No plano Básico (você faz a entrega), a comissão fica entre 12% e 15%. No plano com Entrega iFood, sobe para 23% a 27%. Se você ativa anúncios dentro da plataforma, soma mais 5% a 8%. Essas taxas incidem sobre o valor total incluindo a taxa de entrega paga pelo cliente. É importante lembrar que o iFood pode alterar esses percentuais unilateralmente — e historicamente tem aumentado.
Vale a pena sair do iFood?
Depende. Se o iFood representa mais de 50% do seu faturamento e a margem por pedido está abaixo de 10%, você está dependente de um canal que não controla e que rende pouco. Antes de sair, diversifique: fortaleça o WhatsApp direto, aumente o presencial e ajuste os preços no delivery. Sair do iFood sem canal alternativo pode derrubar o faturamento. O caminho é reduzir a dependência gradualmente, não cortar de uma vez.
Como calcular se o delivery compensa?
A fórmula da margem real por pedido no delivery é: preço de venda menos custo do prato (CMV) menos embalagem menos comissão da plataforma menos imposto sobre o valor bruto menos rateio de mão de obra de empacotamento menos rateio de custos fixos. Se o resultado for inferior a 10% do preço de venda, o delivery está destruindo margem. A Tamy separa a margem por canal automaticamente e avisa quando um canal cai abaixo do mínimo saudável.
Delivery próprio é mais lucrativo?
Em geral sim — o delivery próprio elimina a comissão de 12–27% da plataforma. Mas troca isso pelo custo do entregador, moto, seguro, manutenção e logística. Para marmitarias com raio de entrega curto (até 5 km) e volume alto, delivery próprio costuma ser mais lucrativo. Para bares e restaurantes com pedidos esporádicos, o iFood pode compensar pelo volume que traz. A decisão deve ser feita com base nos números reais, não no achismo.
Qual a margem mínima para o delivery valer a pena?
A referência mínima é 15% de margem líquida por pedido no delivery. Abaixo de 10%, o canal está destruindo margem. Entre 10% e 15%, está no limite — só vale se trouxer volume incremental (pedidos que não canibalizem o salão). Acima de 15%, o delivery está contribuindo de verdade para o lucro. Para saber a margem exata de cada prato, precifique o cardápio corretamente.
O preço do delivery deve ser diferente do salão?
Sim, obrigatoriamente. No delivery, você tem custos que não existem no salão: embalagem (R$ 1,50 a R$ 4,50 por pedido), comissão da plataforma (12–27%) e mão de obra de empacotamento. Se o preço for igual, você está subsidiando a plataforma com o seu lucro. A recomendação é ter uma tabela de preços separada para delivery, com markup entre 15% e 30% acima do preço de salão, dependendo da comissão do canal. Veja a gestão financeira completa para entender o impacto disso no resultado mensal.
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